Punta Arenas – Puerto Williams

PUNTA ARENAS → ESTERO FOUQUE → PUERTO WILLIAMS

ATÉ O FIM DO MUNDO

Depois de navegar de Valdivia até Punta Arenas, a Mistralis continuará sua jornada para o sul.

Agora, a proa estará apontada para Puerto Williams, atravessando uma das rotas mais emblemáticas da navegação austral: o Estreito de Magalhães, os canais fueguinos e, finalmente, o Canal Beagle.

É uma travessia mais curta que a anterior.

Mas talvez seja uma das mais especiais de toda a expedição.

Porque, no meio desse caminho, existe um lugar que, para mim, deixou de ser apenas um ponto na carta náutica.

Estero Folque.


PUNTA ARENAS

Deixaremos Punta Arenas para trás e seguiremos navegando pelos canais que levam ao extremo sul da América.

A paisagem muda novamente.

Entramos em um mundo de montanhas, ilhas, fiordes e águas profundas, onde o vento pode descer das montanhas com força e onde a navegação exige atenção constante.

Aqui, cada passagem tem sua história.

Cada canal tem suas próprias características.

E cada mudança de tempo pode transformar completamente a paisagem ao nosso redor.

A partir de Punta Arenas, a navegação deixa definitivamente para trás a sensação de estar apenas atravessando a Patagônia.

Estamos entrando no Fim do Mundo.


O CANAL BEAGLE

Depois de atravessar os canais austrais, chegaremos ao Canal Beagle.

Um dos grandes caminhos naturais do extremo sul do continente, o Beagle se estende entre Tierra del Fuego e as ilhas austrais, em uma região marcada por montanhas, florestas, ilhas e fiordes.

É também uma região carregada de história.

Por milhares de anos, essas águas foram navegadas pelos povos Yagán, muito antes da chegada dos exploradores europeus. Séculos depois, o HMS Beagle e Robert FitzRoy cartografaram o canal, que acabaria dando nome a uma das mais famosas vias de navegação do mundo.

Hoje, nós faremos esse mesmo caminho.

Não como turistas.

Como navegadores.


ESTERO FOLQUE

Para a maioria das pessoas, será apenas um lugar remoto no extremo sul do Chile.

Para mim, não.

Há lugares que entram na nossa vida de uma maneira que não conseguimos explicar muito bem.

Este é um deles.

Foi ali, nesse canto perdido da Patagônia, que nasceu uma ideia que já virou brincadeira, promessa e, de certa forma, um compromisso comigo mesmo:

eu vou me casar no Estero Folque.

Com alguém, se a vida permitir.

Ou comigo mesmo.

Mas eu vou.

Porque talvez algumas promessas não precisem de testemunhas.

Precisam apenas de um lugar onde façam sentido.

E poucas paisagens no mundo poderiam ser mais apropriadas para isso.

Montanhas.

Mar.

Vento.

Silêncio.

O fim do mundo.

E um homem diante de si mesmo.


UMA PARADA ESPECIAL

Nossa passagem pelo Estero Fouque terá, portanto, um significado especial.

Será um momento para diminuir o ritmo.

Parar.

Olhar ao redor.

Talvez fazer uma fogueira, cozinhar alguma coisa, tomar um vinho e simplesmente estar ali.

Sem pressa.

Sem horário.

Sem a necessidade de explicar nada.

Porque existem lugares que não precisam de atrações.

O próprio lugar é a experiência.

E, para mim, o Estero Fouque será também um marco.

Um daqueles pontos da vida em que você olha para trás e percebe que chegou exatamente onde um dia imaginou estar.


RUMO A PUERTO WILLIAMS

Depois do Estero Fouque, retomaremos a navegação pelo Canal Beagle em direção a Puerto Williams, na Ilha Navarino.

A cidade é conhecida como a mais austral do mundo e está situada justamente nessa região onde o mar, a montanha e a história se encontram.

Será o nosso destino.

Mas, como acontece em todas as travessias da Mistralis, chegar ao destino será apenas uma parte da história.

O que realmente importa estará nas milhas percorridas.

Nas horas de vigia.

Nas manobras.

Nas noites mal dormidas.

Nas conversas na cabine.

No frio.

No vento.

Nas mudanças de tempo.

Nos momentos em que tudo estará perfeito.

E também naqueles em que teremos que trabalhar muito para continuar avançando.


UMA TRAVESSIA PARA O FIM DO MUNDO

Punta Arenas → Estero Fouque → Puerto Williams.

Uma navegação pelo extremo sul da Patagônia.

Uma passagem pelo Canal Beagle.

Uma parada em um lugar que, para mim, tem um significado que vai muito além da navegação.

E finalmente, Puerto Williams.

A partir dali, estaremos ainda mais perto de outros grandes desafios que esperam pela Mistralis no extremo sul.

Mas isso é outra história.

Por enquanto, existe apenas uma coisa a fazer:

colocar a proa para o sul.

E navegar.

MISTRALIS

Porque algumas travessias levam você a um lugar.
Outras levam você de volta para si mesmo.